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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O fim de ano e o mundo real


Do lado de fora do bar, o frio e a neve me lembram que o fim do ano está próximo. Para a maioria das pessoas, às que vivem apenas no mundo normal, é uma época de alegria, fraternidade, comunhão, todas essas coisas que lemos em cartões baratos.

No mundo real, a coisa é um pouco diferente. Os seres que habitam este plano não fazem ceias, não dão festas, nem confraternizam. O clima das pessoas do mundo normal acaba afetando o mundo real e todos ficam mais agitados.

Vampiros, lobisomens e outras entidades não sentem fome de panetones e rabanadas. Quando os vampiros bebem champanhe no réveillon, eles saem às ruas sedentos de sangue. E os lobisomens não se contentam com uma coxa de peru na ceia de Natal. Nos dois casos, pobre de quem cruzar o caminho de ambos.

Não pensem que o Papai Noel é o único ser mitológico a cruzar as noites natalinas. O mundo real sempre gosta de invadir o mundo normal no fim do ano. Não é por acaso que o conto de Natal mais famoso do mundo é povoado por fantasmas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não quero perder meus clientes...

Essa noite o Dwight Anderson apareceu aqui no bar. Veio ao balcão, pediu o bourbon de sempre, mas sua cara estava diferente. Parecia mais preocupado, tenso. Talvez por isso não tenha trazido a sua filha.

Ele não bebeu no balcão, preferiu uma mesa de canto, discreta. Parecia estar esperando por alguém, o que se confirmou algum tempo depois. O problema foi o Dwight querer conversar justamente com o sujeito com a maior pinta de informante da região. Geralmente quem se mete com esse cara não costuma se dar bem.

Os dois saíram ainda agora. Se o Dwight não voltar depois dessa noite, espero que ao menos sua filha continue a frequentar o bar. Diminuir a freguesia nunca é bom.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quem será essa menina?

Justo quando aparece uma garota nova e interessante no Colégio Foley a Sra. Betchley resolve pegar no meu pé. Não é por acaso que chamam essa velha balofa de “cachorro louco”.

Tentei achar a menina no refeitório, na hora do almoço, mas não a encontrei. Vou dar umas olhadas por aí. Preciso saber quem é essa garota. Ela tem algo diferente. Certamente não é como as outras aqui do Foley.

Epa! É ela que está indo por ali... parece que vai matar aula. Vou atrás dela. Mas o que eu faço? Chego falando “Prazer, meu nome é Graves”? Será que uma garota tão diferente vai gostar de uma abordagem tão comum?

Não sei, mas não posso perder essa chance. Tenho que conhecer essa garota agora!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Que minha Dru fique bem...

Não queria ter que sujeitar minha filha a passar sua adolescência vagando pelo país e muito menos a parar nessa cidadezinha que não para de nevar. Mas é inevitável. A missão que me obrigo a cumprir não nos permite o luxo de ter residência fixa. Dru não sabe ao certo a razão desse nosso vai-e-vem. No momento certo, contarei tudo e tenho certeza que ela vai entender.

Hoje encontrarei um informante no bar. Ele me dará uma pista quente sobre o alvo que há tanto tempo procuro. Estar tão próximo do meu maior inimigo é excitante e assustador. Confesso que temo pelos perigos que terei que passar.


A Dru queria ter vindo comigo, mas não pude deixar que ela corresse tamanho risco. Espero que ela fique bem. Seja qual for o meu destino após essa noite.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vida de barman não é fácil

Servindo bebidas nesse bar pouco recomendado já vi mais coisas estranhas do que a maioria das pessoas. Os clientes – um monte de gente quieta e com cara de poucos amigos – parecem normais num primeiro olhar, mas quem tem uma visão mais apurada logo percebe que de normal eles não têm nada.

Vejam por exemplo o Dwight. Vem sempre ao bar, me pede uma dose de Bourbon Jim Beam e sai por aí fazendo perguntas. Devia saber que em um bar como esse, os curiosos não são bem vistos. E raramente têm um final feliz por aqui.

Pior ainda quando ele aparece com aquela menina. Ele não costuma falar sobre isso, mas deve ser a filha dele. Ela sempre fica no balcão, bebendo um refrigerante, enquanto o Dwight vai fazer suas perguntas. As vezes ela fica com o olhar fixo em um ponto do bar, como se visse algo que apenas ela pode enxergar.

É uma menina estranha. Deve ser mesmo filha do Dwight.